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  • Vanessa Rozan

Olheiras, ame-as ou deixe-as?

a pandemia, o cansaço, a Geração Z e as olheiras.




Esses dias eu li a matéria que "deu no New York Times" (não podia perder a piada, sorry) sobre a tendência de acentuar olheiras entre influenciadores da Geração Z no TikTok e Instagram.

Vamos lá, Gerasamba Z, quem são, o que comem, onde vivem?

Gen Z incluem os nascidos entre 1997 e 2012/15, é considerada a geração mais nova que chegou já com internet instalada, nunca usaram um orelhão de rua na vida, nunca tiveram que folhear uma Barsa, nunca tiveram que se contentar com os desenhos da TV aberta porque era só o que existia. OU seja, esses caras são movidos à mobilidade e consumo é uma forma de expressão de uma identidade individual. Redes sociais são seu habitat natural e seu esporte favorito é comunicar.

Como nasceram no bercinho on-line, a geração G quer entretenimento, demanda resposta rápida, tem baixo tempo de atenção e quer adquirir conhecimento rapidão, nada de ir atrás de aprofundar, wikipedia tá ótimo já, isso tudo é culpa de não ter tido que esperar a conexão da internet discada (deu saudade, clique aqui).

Porque eu to dando tanta informação, Brasil? Uai, vamos lá, pra uma geração que não tem paciência e nem atenção pra muita coisa, talvez seja preciso agilizar o processo de parecer cansado? Me ajude a entender.



Quando eu era jóvi tinha uma trend chamada Heroin Chic que consistia em parecer um/uma usuário/usuária de drogas, inspirada na vida e no look de Gia Carangi, depois Kate Moss, um contraponto às modelos Cindy Crawford e sua turma. Era a contra tendência aos anos 70 e 80 que pregou o fitness e o culto ao corpo como uma forma de estar dentro do padrão.

Bom, fora a apologia às drogas, à magreza doentia, tinha a androginia, o niilismo, o cigarrão na mão, a maquiagem meio borrada e olheiras. Olheiras na moda, não é de hoje.

Vamo voltar só um pouco pra trás, no século 18 teve a moda da "Tiberculose Chic", bem descrita no podcast DIG, episódio "Tuberculean Chic: How the White Plague Shaped Beauty Standards in the 18th and 19th Centuries", e nem tinha TikTok lá, viu?

Basicamente o que o podcast traz é a informação histórica de como a epidemia de tuberculose formou uma tendência de beleza. Por conta dos romances e personagens da época que morriam de tuberculose jovens, as pessoas começaram a pensar que as mulheres com tuberculose contraíram a doença por serem lindas, puras e sensíveis. Então esse visual era procurado por elas, consistia em "bochechas estão vermelhas como carmesim, enquanto o resto da pele fica pálido e sem sangue".


A verdade é que eu não entendo uma coisa: olheiras existem. Algumas pessoas tem mais, outras menos, são parte fisiológica e genética do nosso corpo, aceitá-las é um trabalho de uma encarnação.

No meio desse mundo que a gente vive, tá cheio de procedimento moderno de preenchimento, tem também os lasers, tem muita mandiga e ritual caseiro que eu truco, tem corretivo, corretor, massagem, cremes.

Ter olheiras é algo natural. Tratar olheiras que te incomodam demais pode ser possível, MAS REALçAR olheiras, deixá-las ainda mais escuras? Pra dizer o que? Não me venha com essa de que você se aceita. Se aceitar, até onde eu vivi, é olhar pro que você tem, sem por nem tirar, e lidar com essa realidade. É isso que temos pra hoje.


Pra mim isso não me convence como aceitação, não. Desculpa Geração Z mas acho que nesse caso, faltou Biotônico Fontoura nessa tese de aceitação aí.



O que você pensa disso?


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