top of page
Buscar
  • Foto do escritorVanessa Rozan

Ingredientes polêmicos, por Arielle Morimoto

Essa semana abrimos a casa para a expert e fundadora da marca Arielle Morimoto Cosmetics, nesse post ela desmistifica a loucura dos ingredientes cosméticos que tanto lemos nos rótulos e não sabemos se são amigos ou não. Antes de dar a palavra à ela, aproveito para divulgar nosso curso de Cosmetologia que acontece dias 27 e 28 de outubro de 2019, com outra rainha da formulação e da pele, a professora Vania Rozan <3.


Agora prestem atenção nesse textão que vai mudar sua vida, vai Arielle!

"Com cada dia que passa, marcas novas surgem, com elas todo o marketing que diz "sem isso e sem aquilo" no rótulo.

Muitas vezes sem explicar o por quê. E tá tudo bem, são escolhas de cada marca usar o que bem quiser em suas formulações. O problema começa quando demonizamos os ingredientes, sem levar em consideração as inúmeras pesquisas que refutam uma afirmação ou não.

A ciência é muito mais complexa e precisamos esclarecer algumas coisas, a gente aqui não gosta de tratar informações tão importantes de forma leviana, por isso vamos nos aprofundar.

Com vocês, os mais famosos: • parabenos; • sulfatos; • óleo mineral; • álcool; • fragrância sintética; • óleos essenciais; • BHT e BHA; • Hidroquinona; • EDTA. Lembrando que não estamos defendendo o uso deles! Queremos facilitar sua vida de profissional e consumidor para que você entenda - e quebre - os mitos e para que o terrorismo do marketing não te atinja.

Tá prontx? VEM COM A GENTE:


Pigmentos: esse é polêmico! Muitos dizem que um pigmento natural é mais puro que um sintético e isso não é verdade. Os pigmentos são tão puros quanto o fornecedor queira até um ponto. Não existe batom "sem metais pesados".

A sentença correta seria "nossos batons são testados para metais pesados". Os pigmentos seguros, portanto, são aqueles que menos contém metais pesados em ppm (partes por milhão) e isso depende do fornecedor e tipo de extração que ele possui - as fichas técnicas confirmam isso. Mas não se apavorem: as quantidades medidas em ppm não são absorvidas pelo nosso corpo ou sequer ficam nele quando e se ingeridas.

Parabenos: um pouco duvidoso, mas não ao ponto de demonizá-lo. Já me deparei com diversos estudos que dizem que o uso deles e a concentração permitida (varia de 0.8-1%), é segura. A polêmica toda começou com um artigo de 2004 que relacionou o uso de parabenos ao desenvolvimento de câncer de mama. Essa hipótese foi refutada mas a fama ficou. Já foi provado que ele é completamente metabolizado antes mesmo de entrar na corrente sanguínea, e excretado sem nenhum perigo. A presença dele é muito menor do que na comida que nos alimenta todos os dias (milhares de vezes) - a alteraçāo do sistema endócrino é imperceptível comparada aos alimentos.

Por termos várias outras alternativas, não usamos parabenos nas formulações mas não é motivo para odiá-lo.

Sulfatos em shampoos/lenços demaquilantes/água micelar/gel de limpeza

Existem vários tipos de surfactantes no mercado, alguns mais agressivos na pele e outros menos. No caso dos sulfatos - o lauril sulfato de sódio em evidência- há vários relatos de que eles causam irritação na pele se muito utilizados - ou aumentam a sensibilidade. Quem sofre de dermatite, psoríase e outras doenças cutâneas, deve evitar o uso deles (assim como no meu caso, que tenho psoríase), mas também não é tão ruim assim. Se tiver no topo da lista dos ingredientes, evite pois ele se encontra em maiores concentrações.

Óleo Mineral

(óleo como demaquilante/uso de óleo como hidratante)

Nenhum problema a não ser a comedogenicidade dele e o impacto ambiental que causa. Lembrando que óleo de côco também é comedogênico, ambos ótimos emolientes. Ele é um ingrediente oclusivo, um dos maiores da lista de hidrocarbonetos utilizados  e, de fato, o óleo mineral é um dos ingredientes que mais retém a hidratação da pele. A lista de alternativas é grande - e por conta da preocupação ambiental, evito o uso e da comedogenicidade, evitar sempre em produtos faciais.

Álcool

São geralmente utilizados como surfactantes e se bem utilizado na fórmula, não há o por quê não utilizá-lo. O problema é quando a concentração dele é alta e aumenta a volatilidade da formulação, podendo resultar na desidratação da pele ou efeito rebote na oleosidade. Dê preferência aos álcoois graxos (os de maior peso molecular), eles são mais suaves e são ótimos para estabilizar uma formulação.

Fragrâncias químicas em cosméticos

Único problema é a questão da sustentabilidade pela acumulação ambiental que causam. Podem ser sintetizados em fragrâncias que ocorrem na natureza e possuem maior estabilidade na formulação. - porém, muitas pessoas têm reações alérgicas com elas.

Fragrâncias naturais/Óleos essenciais

Sim, porém tenho algumas ressalvas, acredita?

·      Só porque é uma fragrância natural, não significa que será menos alergênica no produto;

·      Alguns óleos essenciais são carcinogênicos - proibidos o uso em qualquer concentração;

·      Há óleos que são liberados em determinadas concentrações e com a combinação de um antioxidante (para não produzirem substâncias que sensibilizam a pele perante a oxidação deles);

·      Benefício de agirem como preservantes;

·      Tendo em vista a estabilidade na formulação, as fragrâncias naturais geralmente são obtidas de modo sustentável e sem poluição ao meio ambiente.

BHA e BHT

Há estudos que relacionam a problemas pulmonares e do fígado em ingestões orais do BHT. Em contrapartida, também foi comprovado que a concentração utilizada nos cosméticos não absorve no nosso organismo, e se é, é lentamente e não apresenta riscos sistêmicos como na ingestão de doses elevadas. No caso do BHA, suspeita-se ser um disruptor endócrino quando associado a outros conservantes mas ainda não temos estudos suficientes para chegar a essa conclusão. Por via das duvidas, evito!

EDTA

É um estabilizador/agente quelante e as minhas considerações são basicamente as mesmas do BHA e BHT, a não ser quando utilizado em formulações em formato de aerosol - evite.

Hidroquinona (vit E sintética)

Tem efeito clareador mas deve ser utilizado a pequenas concentrações (algo até de 0.02%). Mesmo assim, seu uso está linkado a vários problemas de saúde - por via das duvidas, evito usar em formulações já que é mais difícil de metabolizar que a Vitamina E natural (que possui inúmeras propriedades para a nossa saúde). Além disso, a vitamina E natural requer menos passos para a produção, sendo uma síntese mais limpa.

Resumindo: o que diferencia o veneno do remédio é a concentração. Tudo que é colocado no mercado tem algum embasamento científico, caso contrário, não seria autorizado o uso deliberadamente em concentrações preestabelecidas pelos órgãos de saúde e vigilância sanitária. No entanto, as novas pesquisas surgem e precisamos ficar de olhos abertos. Eu não curto muito demonizar ingredientes pois cada caso é um caso. No entanto, na escolha das nossas formulações, foi uma escolha pessoal serem livres desses ingredientes a fim de democratizar cosméticos de boa qualidade que abrange todos os públicos."


Arielle Aparecida Morimoto é Bacharelado em Ciência & Tecnologia voltada para Engenharia de Materiais e Biomédica e criou a marca de make multifuncional Arielle Morimoto Cosmetics @amorimotocosmetics em junho de 2018. Entre outros projetos, Arielle estagiou em um laboratório americano durante período de intercâmbio fomentado pelo governo.

518 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page